Nada é mais antipático e apático que abrir um vinho sozinho...
Algo só permitido, talvez, com a altivez dos melhores sonhos a nos mergulhar em precioso e lento encanto...
E ao apreciar esses sabores mediterrâneos, mergulhado nesse amar molhado, doce e de instantâneos frutos, redutos dos feitos desfeitos em serenas ondas desse mar profundo eu, em minha única e insensata companhia, mas longe das hediondas falsidades, sinto que a solidão não passa, apenas, de um detalhe desatento de infrutíferas metades que não se juntaram. E nem deveriam...
Descubro, assim, os valiosos sabores que não justificam qualquer amargo pranto... E mesmo no embargo da minha voz que não quer calar e que as vezes calo, aprecio esse delicioso momento.
Eu renuncio ao medo ansioso e ouso um combinar elegante com a outra metade que procuro e da qual, ao tentar me afastar a cada dia, de sua ausência mais ainda eu me aproximo. E ao fartar- me dela (da sua ausência), mais eu busco seu encanto e sua linda presença...
René J Blumer

