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terça-feira, 17 de junho de 2014



SORRIR CHORANDO

Queria tanto ter chorado mais... Não fui capaz! O choro não me veio nem mesmo em meio às infinitas noites que passei em claro no meu leito... Eu me deparo, hoje, sem nenhum receio, com a certeza do quanto é profunda e triste a dor que dói no peito por não saber chorar... Tanto ou mais que a dor de não saber sorrir! 

E, por isso, em abundante tristeza, sei o quanto desejei partir e sair dessa livre e insensata prisão de escassas lágrimas, posto que me amar ficou distante, tanto e a ponto de tornar-me um mero visitante de mim mesmo! E acompanhado de mim andei a esmo, sem a minha própria e inútil companhia...

Mas eis que aos poucos minh‘alma se recria e, quase que por secreto encanto, Deus me brinda, discreto, com imagens lindas de lindas estrelas, as mais belas que no céu já vi. Quanto eu viajei a procura disso tudo em sãs loucuras!

E no repouso de amorosas juras, em puras emoções jamais sentidas, sem nenhuma fadiga e em mágica divina, eu ouso decifrar novos sinais... Sinto a paz de novas vidas se abraçarem e nesses abraços vejo formarem-se laços de ternura e intensa luz...

Novos perfumes, de pura alquimia, envolvem todos os espaços e em pensamento eu me busco e nos meus braços me levanto... Falo de mim que agora em doce pranto, neste feliz momento, amando amar a claridade no meu canto e, sem nenhuma vaidade, redescubro a grande arte que é sorrir chorando...

segunda-feira, 16 de junho de 2014



SEXTA FEIRA – LINDA!

Doce sexta-feira! Quase sempre linda! Porque finda mais uma jornada... Sexta feira aguardada e, de tão aclamada, virou “hit”... Dia de convites e de muito apetite! E também de sede! Muita sede...

Copos se levantam... Braços se abraçam... Outros nem tanto, posto que em pranto... 

Sorrisos que encantam almas, que afastam traumas, ao som certeiro e as vezes “morteiro”, da música que toca ao fundo, girando o mundo que mora dentro da gente... 

E não demora, logo vai embora, sem deixar semente! Rodando a mágica ciranda que não mente e movida pela trágica passagem dos segundos...

Segundos que deveriam ser chamados de “primeiros”! Pois insistem em se unir para criar minutos, horas, dias, meses e anos, frutos das auroras que as vezes nem notamos! Tantos são os nossos planos... 

Sexta-feira, portanto, deveria se chamar sábado! Ou virar feriado, dia de ficar sossegado... Chamaríamos o sábado de domingo... E o domingo, enfim, de “ primeira-feira”, que é o único dia que falta na semana... 

Bingo! Mas isso engana... Pois nessa mudança insana, a quinta-feira certamente logo vira doce e linda! Novo dia de apetite, de convite... E de muita sede!

Por isso, melhor não mexer nisso!

RENÚNCIA

Muitas vezes acreditamos que estamos fazendo coisas extraordinárias para as pessoas... Pensamos estar vencendo etapas importantes, caminhando ou querendo caminhar de mãos dadas... 

Imaginamos que ao amanhecer, novas e bonitas flores serão colhidas, frutos da dedicação de ontem e de hoje.

Nem sempre é assim! Porque tudo o que fazemos para as pessoas nem sempre é recebido com o mesmo critério de julgamento que temos.

Nos enganamos ao imaginar que os nossos atos serão vistos como desejaríamos que fossem... Raramente conseguimos olhar os gestos das pessoas como eles efetivamente são.

Esse processo ambíguo faz parte dos valores que cada um tem dentro de si. Essa dissonância entre o que fazemos e o que recebemos em troca faz parte do jogo dos interesses pessoais, emocionais e materiais que nos cercam. Que nos engolem vivos!

Daí surgem os afastamentos, os distanciamentos, as tristezas e desilusões... Surgem as mágoas, as histórias inacabadas, os passos em falso, as crises pessoais...

O equilíbrio nas relações é algo extremamente sutil e delicado. É proporcional à deliberada capacidade de renúncia e ausência integral de egoísmo...

Boa semana a todos! Com mais renúncia e menos egoísmo de todos nós...


OUSADIA DE ESPERAR!


Concedo-me a ousadia de dizer que me prendo ao sonho de te ter! E rendo-me ao teu sorriso lindo, que é tudo o que eu preciso de você!

E assim e para ti e para tanto doravante irei viver! Sorrindo... 

Belas flores colherei todos os dias, no jardim imaginário do meu peito. E te amarei recitando minhas poesias, no cenário perfeito do meu leito. 

Ao luar eu ousarei buscar meu sonho, imaginando-te tão linda e tão minha! E ao juntar os versos me proponho a desvendar seu coração e te dizer numa canção o quanto que eu te quero!

Conto os segundos e, aflito, intensamente eu te espero, em claro conflito com as horas que demoram... Mas concedo-me a ousadia de esperar, numa doce fantasia de ancorar com lindas flores no seu cais, a aguardar suas marés tão inocentes mas reais...

QUEM NOS DOMINA?

Se tiverdes tendo pensamentos que não dominas, certamente estarás sendo dominado.
Resta-te, sinceramente, domínio sobre ti e sobre o que dizes? 
E sobre o que fazes, sobre o que praticas?
Dissestes, alguma vez, algo que não desejavas ter dito? 
Machucastes alguém, sem querer machucar?
Pergunte, sinceramente, a você mesmo. Responda mais sinceramente ainda...
Se não te dominas, quem te domina? 
Se realizardes coisas que não desejais fazer, quem o faz por ti?
Quando é Deus quem põe suas mãos em nossos lábios e dita as nossas palavras, não há dominação. Há iluminação e paz! 
E se Deus não é o seu Senhor, o Senhor de suas palavras, quem o será?
Cuidado! Há forças que não conhecemos... Estejas atento a isso e pactue só com Deus.
Não te deixes dominar! Sejais dono das suas palavras, mas só depois de cultivá-las em seu coração e regá-las com sabedoria e amor. A partir daí poderás dizê-las ao mundo, uma a uma, frase a frase...
Elas verdejarão os campos, apaziguarão os conflitos, acalmarão os corações mais aflitos... Do contrário, só restarão trevas, medos e dúvidas...
Cuida de ti!

Porque a ti Deus confiou infinitas missões...

Portanto, ore sempre, para que sejas forte e possa realizar essas suas missões...
Missões que só cabem a ti! 

Não espere de mais ninguém, pois as missões que se lhe competem, são apenas suas... 
Levanta-te e anda! Faça esse milagre em ti e por ti...

Ore, peça a si próprio, se ame, pois isso não é um ato de egoísmo! É permitir-se, com as bênçãos que Deus te oferece diariamente, agir e atuar em prol de suas batalhas para melhorar o seu mundo e o mundo do próximo...

Ainda que tudo isso seja em relação ao seu próprio e pequeno mundo interior ou ao mundo das poucas pessoas que te rodeiam.

Siga e persiga! Caminhe! Enamore-se! Flerte consigo mesmo! Ninguém, afinal, é capaz de amar, sem antes amar a si próprio! 

Encontre-se em todos os lugares, sob os olhares atônitos de te verem em pé. Surpreenda e surpreenda-se! Pois há muitas pessoas que te querem ver rastejar... Menos o teu Deus!

E, se Ele faz morada em ti, no perdão, na compaixão, na compreensão, na misericórdia, na fraternidade e na fé, nada irá fazê-lo sucumbir...

Porque isso tudo significa viver na luz! E nada é capaz de alcançá-la!
QUANTAS VEZES...

Quantas vezes passamos por lugares maravilhosos e nem percebemos... Ouvimos os sons da natureza e sequer procuramos de onde vêm... Somos iluminados e aquecidos pelo sol e ainda assim sentimos frio... A lua nos vigia por noites a fio, mas sequer olhamos para o céu.

Quantas vezes caminhamos pelos mistérios de nossos corações e nesse caminhar incerto, estendemos as mãos convidando pessoas para as nossas vidas, mas esquecemos de convidar, primeiro, a nós mesmos... E sem nós mesmos, trafegamos por vias congestionadas e trombamos com obstáculos tão visíveis e tão fáceis de desviar...

Quantas vezes entramos num novo dia sem lhe dar graças! E por ele seguimos inutilmente... A esperar que do céu caia um socorro. A esperar que alguém ou coisas nos aliviem das nossas angustias... A esperar um milagre que jamais acontecerá, pois o milagre mora dentro de nós.


Adoecemos nosso corpo e nossa alma fitando o nada e esperando tudo... A vida brinda-nos com o melhor de si mesma, mas insistimos em estar de costas para ela e de frente para o que não importa de fato...


E é então que vêm as trevas, a escuridão! Tentamos iluminar nossos caminhos com luzes deste mundo... Com elas desviamos dos buracos físicos. Porém, não nos desviam dos buracos que estão dentro de nós...


E isso ocorre simplesmente por não acreditarmos em nós mesmos, nessa maravilhosa e imensa força que reside em nós... Tudo isso porque, quase sempre, acreditamos apenas no que vemos...


E o que vemos? Quantas vezes olhamos para dentro de nós? Será que não olhamos apenas para coisas que queremos e muito pouco para as coisas que realmente precisamos?


É assim que, às vezes, conquistamos o mundo mas perdemos a nós mesmos...

ENERGIAS


Às vezes acordamos sem querer acordar! Os olhos teimam em permanecer fechados... Os sonhos não são sequer lembrados... Temos a impressão nítida de que a vida parou...  

O que houve? Só mais um dia? Será apenas mais um dia? Quantos ainda virão? Talvez poucos, talvez muitos... E então, nesse mistério intransponível, abrimos os olhos e levantamos! Colocamos os pés no chão frio... 

E, quando menos esperamos, o dia começa para nós mesmos, fabricados pelas nossas forças e pelas nossas fraquezas... 

Paramos então, para uma oração necessária, uma pausa, um agradecimento sincero por mais uma oportunidade com a qual a vida nos brinda, para melhorarmos os conceitos que temos de nós mesmos e os que as pessoas têm em relação a nós...

Nesses exercícios diários, nem sempre vencidos por razões várias, surgem energias vindas do acaso secreto da mente de Deus e nos presenteia com boas companhias, ternas e eternas amizades; com o afago carinhoso de pessoas maravilhosas que transitam por nós, vindas certamente para amenizar a nossa dor, para provocar um sorriso...

E nesse dia (hoje!) seguimos com uma certeza doce e serena: se for o último, terá sido o melhor de todos! E que assim seja, em todos os nossos próximos dias...

JUSTA ETERNIDADE

Hoje, mais que nunca, vivi o que vivem os que em Deus confiam... Morando abraçado à minha dignidade, vislumbrei o prazer de poder contar com o carinho de pessoas tão queridas... E em meio às tantas dificuldades, pisando descalço nas pedras doloridas da vida, é fácil ver e sentir o prazer da doce realidade: Triunfa a verdade! Trunfa a paciência! Triunfa a magia da piedade e do perdão!
Homenagem devo a todos os meus dias... a tudo que abdiquei; a tudo que conquistei... ainda que debaixo das mais inúteis batalhas...


Foram tentativas de alguma paz... Foram tentativas de sobriedade e serenidade que, nem sempre, vieram da forma sonhada, porque os sonhos, são apenas sonhos e não realidade... 


Hoje, sereno, agradeço as mãos estendidas... me despeço das tristes partidas... Permito-me ampliar meus conceitos... E, deitando sóbrio sob as sombras sadias da decência, consigo separar os homens dos vermes, a justiça da injustiça, a clemência da impiedade e o prazer, da verdade...


Anuncio, doravante, que relaciono-me com a inquietude de quem quer aprender e com a humildade de quem não quer ser e nem ir além da própria insignificância... E eis que surge o prazer incomum de estar em um relacionamento sério com a verdade!


Boa semana a todos! Aos amigos! Aos que pareciam ter sido... Aos que se foram... aos que virão... Nessa doce ciranda que circula, dia a pós dia, a mover-nos nesta magia que é viver intensamente...


Por mais fracos que sejamos... pelas canções que cantamos como que se de nossa autoria fossem... Na alegria de ouvi-las, na satisfação de cantá-las! Na imensidão de saber viver apenas o que a vida nos permite... 



E, aos que pensam triunfar apenas com a tese da aparência, com a falsidade das fúteis e inúteis conquistas, um doloroso aviso: A ETERNIDADE SERÁ ETERNAMENTE JUSTA!!!!



MORRER EM PAZ 


                  Como é bom conversar com Deus em paz, sem aflições! Falo, sem ilusões, da paz que conversa com a gente em silêncio profundo, frente a um mundo imundo de meios banais. Falo mais! 

                  Falo da paz que desperta a piedade, que acalma a alma sem remédio nenhum... Paz que afasta o tédio e que cura a ansiedade, por mais dura que seja a jornada a cumprir... Paz que faz rir sem motivo aparente e que nada afeta, que é pura e completa, é benção de Deus...

                  Com ela os conflitos se calam, as doçuras se instalam, as loucuras se afastam... E sendo assim, o intenso mar de revoltosas ondas se dissipa... E surge então a mais pura sensação de que a morte é um lindo cais... Lindo e bem vindo! Porto seguro da certeza do dever cumprido...

                  E, quando em algum instante nos tornarmos apenas um retrato amarelado numa estante ou na parede, ou ainda modernamente, de nós todos se esqueçam e nem vejam nossas páginas quase sempre tão banais, numa rede virtual que um dia ousamos editar, saberemos entender que o tempo, a seu tempo, editou nossa passagem passageira e tão real... 

                   Pois quando é findo o nosso tempo precioso e lindo, é preciso que não se tenha a morte tão ligeira com infeliz lamento. E para isso e para tanto, quando chegada a hora e o momento, a paz será trincheira essencial, mesmo que venha abraçada a receoso e triste pranto, culpa da culpa de nossos devaneios e eventuais receios por alguns cruéis desatinos. 

                   E no badalar sem rodeios dos sinos a nos avisar dos dias idos e a nos anunciar o fim dessa jornada, calmamente fitaremos o infinito que, de tão bonito, nele finalmente faremos nossa humilde e feliz morada...


SONHAR...

Sonhar é buscar o destino, é navegar, é voar, é esperar! Esperança é sonhar que se alcança, é dança intensa! É crença!

E nesse navegar sem mar, nesse voar sem ar, sobram delirios... E eis que chega a tempestade, sem piedade, a destruir os lirios que nem colhemos e, junto com eles, perdemos as nossas fantasias e as lindas cores dos nossos dias...

Descemos então da frondosa e generosa árvore dos nossos sonhos... Sonhos em versos! Sonhos em prosa! E pisamos novamente no chão gelado da realidade, que na verdade nos tornam gigantes...
Gigantes a sonhar como antes, em nova jornada! 

No nada ou no tudo? Isso não importa!Abro a porta...Por ela entro e me respondo mudo...