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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

VIAJANDO EM MIM

O tempo me fez forte. Livrei-me até do medo da morte, que já tinha pouco. Hoje busco um norte sem nenhuma nostalgia. Fui são e fui louco! Misturei fé e desolação. Apalpei rótulos com espinhos, mergulhei em vão no sangue agridoce da paixão. Chorei e ri...

Mostrei-me e me escondi... Como se “tudo” fosse tudo ou nada! Calei. Gritei. Perdi o rumo e me amparei...

Tudo que passei eu revivi assombrado pelas chagas doloridas das feridas que me fiz, ou que me deixei fazerem. Acrescentei risos e lágrimas ao meu currículo... Fui sábio e fui ridículo! Mas agora não mais me ofusco em vão ou em busca de fútil alegria. Quero mais! Quero um cais!

Quero mais que alegria, talvez mais fantasia e muito menos realidade. Talvez queira felicidade, em sua imensidão finita a despertar-me esperanças de que a idade, por si só, não me levará de mim, assim, tão só...

Quando partir, quero ir bem de encontro comigo. Colocar o dedo no meu nariz! Achar-me nos recantos divinos da paciência. Aconchegar-me no trono sábio da clemência. Apoderar-me dos meus passos sem nenhuma pressa mais, viajar em mim...

E que nada me impeça e que do infinito eu possa rever os meus laços e entender que foram justos... Sem sustos nem surpresa...

Farei de mim a minha presa e me entregarei com a plena certeza de que tudo vale a pena quando a alma não é pequena (parodiando Fernando Pessoa)...

Mas, pensando assim também imaginei que mesmo tão pequena, ela sempre faz sua cena, acena e voa... Faz valer a pena!

sábado, 6 de setembro de 2014

EXÍLIO


Venho a ti de meu exílio tenso e mudo, rompendo as barreiras derradeiras do passado, revendo cada um dos meus passos... E hoje, incansável e sem nenhum orgulho, orgulho-me de mim e das promessas que me fiz. Venci!  Por isso, hoje confortável, não mais resisto ao teu esbulho, pois ao tomar de mim o que é meu, multiplicastes em mim o que é teu: O MEU AMOR POR TI! 
Íntimo Recanto

Minha alma ama a sua alma calma e isso me acalma. Minha alma ama imaginar seus traços por todos os espaços. Minha alma ama seu sorriso lindo, seus olhos presentes, mesmo tão distantes, de mulher menina e que eu preciso tanto... 

Encanto-me a olhar seus olhos, viajar com eles rumo ao lindo cais de lindas poesias, sempre só mentais. Nessas minhas idas e vindas, caminhei por muitas trilhas, fiz tantas partilhas, que nem eu mesmo me encontro mais. 

Guardei comigo versos secretos, alguns discretos, outros nem tanto... Entre sorrisos e muito pranto ando absorto nas vagas horas, eternas chagas da ausência tua... Procuro-te nua nos meus íntimos recantos, sob a égide precisa dos teus encantos e da magica inclemência da saudade, impiedade da tua ausência que naufraga, mas não apaga minha eterna vontade de te ver. É assim que me invade inteira e, por isso, à tua espera, eu não me canso de esperar!


FDS (NIHILISTA!)

Mais uma semana está se indo, fluindo com o tempo que flui na vida, tal qual a vida que flui no tempo. E nós, mergulhados no eterno sonho das conquistas, amargurados no inverno sórdido de tantas lutas, seguimos em vão as pistas distraídas que nos mostram apenas o que já vimos tanto...



E assim, redundantes, nossas condutas se eternizam numa amarga sensação de que antes, muito antes de notarmos, as cargas perigosas que levamos nas costas, agonizam nossos corações cansados de esperar o nada, mesmo esperando tudo em frágeis apostas, nessas nossas missões recheadas de ledos enganos e insensatos medos...



Nada nos resta, então, senão esse nada eterno que nos atesta a passagem fria do tempo, em franca agonia, fluindo indo e não mais voltando...

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Nada é mais antipático e apático que abrir um vinho sozinho...
Algo só permitido, talvez, com a altivez dos melhores sonhos a nos mergulhar em precioso e lento encanto...

E ao apreciar esses sabores mediterrâneos, mergulhado nesse amar molhado, doce e de instantâneos frutos, redutos dos feitos desfeitos em serenas ondas desse mar profundo eu, em minha única e insensata companhia, mas longe das hediondas falsidades, sinto que a solidão não passa, apenas, de um detalhe desatento de infrutíferas metades que não se juntaram. E nem deveriam...

Descubro, assim, os valiosos sabores que não justificam qualquer amargo pranto... E mesmo no embargo da minha voz que não quer calar e que as vezes calo, aprecio esse delicioso momento.

Eu renuncio ao medo ansioso e ouso um combinar elegante com a outra metade que procuro e da qual, ao tentar me afastar a cada dia, de sua ausência mais ainda eu me aproximo. E ao fartar- me dela (da sua ausência), mais eu busco seu encanto e sua linda presença... 

René J Blumer

segunda-feira, 14 de julho de 2014




INÚTIL VAIDADE!

Ao toque desprovido de qualquer charme do alarme, mais um dia se inicia! E mesmo que se troque tudo a cada amanhecer, e com muito estudo se pretenda refazer os próprios passos, os compassos se misturam e as mudanças quase sempre viram lenda...

O chão pisado de nossa cotidiana caminhada, em sua cruel sabedoria (e às vezes em fiel embate com a nossa vontade), aguarda ansioso o peso de nossos pés preguiçosos e nos acena com sua dura realidade...

Então, ansiosos e num segundo, dominamos nossa mente ainda pura e, em amena letargia ordenamos a ela os tantos detalhes de mais uma jornada por Deus permitida...

E lá vamos! A esquecer de nós mesmos... E até do que mais gostamos! Em busca talvez, da altivez de nossos sonhos...

Sonhos desse mundo, meras alegorias que no fundo nem nos pertencem...

Sonhos que vencem facilmente a nossa sábia sabedoria, ainda que estejamos em intensa vigília... E, fatalmente, nos afastam da família, dos ternos abraços, dos eternos laços, dos grandes amigos e até mesmo dos valores antigos...

E nesse caminhar intenso, em busca de espaço e algum conforto, sorrimos, beijamos e amamos muito menos... Até disso nos esquecemos!

E no final de mais um dia de tensos momentos, talvez até hipertensos, olhamos para trás e vemos que nada somamos a nós mesmos... 

Não percebemos o carinho do nosso cachorrinho, o aceno do vizinho, nem o piar do alegre passarinho...

Em vão seguimos em frente nessa batalha quase inútil, mesmo sabendo o quanto é falha... Achamos sempre, que mais à frente, teremos tempo... Triste mentira que passamos em nós mesmos, nessa louca vaidade e ambígua realidade...

Sabemos todos essa verdade, mas engolidos pela necessidade, vamos seguindo iludidos até que os dias para nós estejam rindo... 

Pois quando os dias se tornarem sisudos, sérios e mudos, talvez notemos o cachorrinho, a ave no ninho e o sorriso do vizinho!

E se nesse dia não pudermos mais ser parte ativa dessa linda e altiva orquestra divina, sina da nossa finita saúde plena, será uma pena olhar a própria história, se para isso ainda tivermos memória... 

Pior ainda, se nesse dia ou instante, dos nossos olhos rolarem lágrimas tristes! Nessa hora, será gigante a sensação de abandono de coisas lindas e mais cruel ainda, será a dor do auto-abandono. E o tempo, em seu imenso trono de sabedoria, deitará seu manto e deixará a cargo da justa eternidade o amargo pranto que a nossa vaidade soube conquistar...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

 


QUERO ALGUÉM 

Tenho procurado alguém,
pra sorrir de braços dados.
Que me ajude a ver detalhes,
que não tenho visto mais.
Quero alguém que mude tudo,
sem mexer em quase nada...
Quero alguém que a cada dia,
encha os meus olhos d´água.
E que chore com as histórias,
que conto nas minhas poesias.
Que sorria quando eu canto,
e desafino sem saber...
Tenho procurado alguém,,
pra deitar numa varanda,
e olhar a noite toda,
a ciranda de estrelas,
que circulam pelo céu...
Quero alguém que mude tudo,
sem mexer em quase nada...
Quero alguém que a cada dia,
encha os meus olhos d´água.
 


PROCLAMO-TE

VIESTES ATÉ MIM,
PELAS MÃOS DO QUASE NADA,
PELAS VESTES DA OUSADIA DO DESTINO.
E, NESTA JORNADA EM DESATINO,
EU INVADO A MADRUGADA...

E ESSE NOVO DIA ME ADIA,
MAIS UM DIA SEM VOCÊ.
MAS TE ESPERO...
E ESSA TUA AUSÊNCIA,
RENOVA-ME  UMA ÚNICA CERTEZA:
EU TE QUERO...

A ESPERANÇA É MEU HINO,
E DIGO AO MUNDO QUE TE AMO,
QUE TE AMO, QUE TE AMO...
PROCLAMO-TE MINHA, A MIM MESMO.
PROCLAMO-ME TEU!
CONSTRUO-TE COM MEUS PENSAMENTOS,
CRIO MOMENTOS...
ACARICIO-TE  DOCEMENTE...
E VOCÊ SE FAZ  PRESENTE,
ME ACOLHE INOCENTE...

OLHE AGORA A TUA VOLTA!
E EM LINDA E DOCE ESCOLTA,
SENTIRÁS UM BEIJO MEU


NAU SEM VELA

Meu coração é nau sem vela e ruma como ela ao infinito tão bonito, logo ali... Parti de mim não sei ao certo nem de onde, seguindo em campo aberto, longe e perto, em busca de horizontes tão distantes. Mas tem sido belas as paisagens e intensas as fontes que visito, nesse bendito grito de esperança.

Assim, de mim não mais me escondo pelos vales de minh‘alma que agora, sozinha se ampara e me alcança, a despir-me calma, de todos os meus males.

Desfaço-me dos meus tristes dilemas e escrevo a você alguns secretos poemas. Afinal, deste-me com teu precioso encanto, estas novas vestes que me cobrem de emoção e que tanto supliquei, discreto, no meu eterno anonimato.

Mas o fato é que você está em mim agora, nessa linda posse que detenho, dos teus olhos em intenso brilho olhando os meus. Venho de meu exílio rompendo barreiras infinitas e insisto que o imenso infinito é logo ali. Por isso, não mais resisto à tua linda vinda inesperada até mim... E nessa chegada silenciosa, fizestes o infinito estar aqui, em morada carinhosa e eterna no meu peito.

terça-feira, 17 de junho de 2014



SORRIR CHORANDO

Queria tanto ter chorado mais... Não fui capaz! O choro não me veio nem mesmo em meio às infinitas noites que passei em claro no meu leito... Eu me deparo, hoje, sem nenhum receio, com a certeza do quanto é profunda e triste a dor que dói no peito por não saber chorar... Tanto ou mais que a dor de não saber sorrir! 

E, por isso, em abundante tristeza, sei o quanto desejei partir e sair dessa livre e insensata prisão de escassas lágrimas, posto que me amar ficou distante, tanto e a ponto de tornar-me um mero visitante de mim mesmo! E acompanhado de mim andei a esmo, sem a minha própria e inútil companhia...

Mas eis que aos poucos minh‘alma se recria e, quase que por secreto encanto, Deus me brinda, discreto, com imagens lindas de lindas estrelas, as mais belas que no céu já vi. Quanto eu viajei a procura disso tudo em sãs loucuras!

E no repouso de amorosas juras, em puras emoções jamais sentidas, sem nenhuma fadiga e em mágica divina, eu ouso decifrar novos sinais... Sinto a paz de novas vidas se abraçarem e nesses abraços vejo formarem-se laços de ternura e intensa luz...

Novos perfumes, de pura alquimia, envolvem todos os espaços e em pensamento eu me busco e nos meus braços me levanto... Falo de mim que agora em doce pranto, neste feliz momento, amando amar a claridade no meu canto e, sem nenhuma vaidade, redescubro a grande arte que é sorrir chorando...

segunda-feira, 16 de junho de 2014



SEXTA FEIRA – LINDA!

Doce sexta-feira! Quase sempre linda! Porque finda mais uma jornada... Sexta feira aguardada e, de tão aclamada, virou “hit”... Dia de convites e de muito apetite! E também de sede! Muita sede...

Copos se levantam... Braços se abraçam... Outros nem tanto, posto que em pranto... 

Sorrisos que encantam almas, que afastam traumas, ao som certeiro e as vezes “morteiro”, da música que toca ao fundo, girando o mundo que mora dentro da gente... 

E não demora, logo vai embora, sem deixar semente! Rodando a mágica ciranda que não mente e movida pela trágica passagem dos segundos...

Segundos que deveriam ser chamados de “primeiros”! Pois insistem em se unir para criar minutos, horas, dias, meses e anos, frutos das auroras que as vezes nem notamos! Tantos são os nossos planos... 

Sexta-feira, portanto, deveria se chamar sábado! Ou virar feriado, dia de ficar sossegado... Chamaríamos o sábado de domingo... E o domingo, enfim, de “ primeira-feira”, que é o único dia que falta na semana... 

Bingo! Mas isso engana... Pois nessa mudança insana, a quinta-feira certamente logo vira doce e linda! Novo dia de apetite, de convite... E de muita sede!

Por isso, melhor não mexer nisso!

RENÚNCIA

Muitas vezes acreditamos que estamos fazendo coisas extraordinárias para as pessoas... Pensamos estar vencendo etapas importantes, caminhando ou querendo caminhar de mãos dadas... 

Imaginamos que ao amanhecer, novas e bonitas flores serão colhidas, frutos da dedicação de ontem e de hoje.

Nem sempre é assim! Porque tudo o que fazemos para as pessoas nem sempre é recebido com o mesmo critério de julgamento que temos.

Nos enganamos ao imaginar que os nossos atos serão vistos como desejaríamos que fossem... Raramente conseguimos olhar os gestos das pessoas como eles efetivamente são.

Esse processo ambíguo faz parte dos valores que cada um tem dentro de si. Essa dissonância entre o que fazemos e o que recebemos em troca faz parte do jogo dos interesses pessoais, emocionais e materiais que nos cercam. Que nos engolem vivos!

Daí surgem os afastamentos, os distanciamentos, as tristezas e desilusões... Surgem as mágoas, as histórias inacabadas, os passos em falso, as crises pessoais...

O equilíbrio nas relações é algo extremamente sutil e delicado. É proporcional à deliberada capacidade de renúncia e ausência integral de egoísmo...

Boa semana a todos! Com mais renúncia e menos egoísmo de todos nós...


OUSADIA DE ESPERAR!


Concedo-me a ousadia de dizer que me prendo ao sonho de te ter! E rendo-me ao teu sorriso lindo, que é tudo o que eu preciso de você!

E assim e para ti e para tanto doravante irei viver! Sorrindo... 

Belas flores colherei todos os dias, no jardim imaginário do meu peito. E te amarei recitando minhas poesias, no cenário perfeito do meu leito. 

Ao luar eu ousarei buscar meu sonho, imaginando-te tão linda e tão minha! E ao juntar os versos me proponho a desvendar seu coração e te dizer numa canção o quanto que eu te quero!

Conto os segundos e, aflito, intensamente eu te espero, em claro conflito com as horas que demoram... Mas concedo-me a ousadia de esperar, numa doce fantasia de ancorar com lindas flores no seu cais, a aguardar suas marés tão inocentes mas reais...

QUEM NOS DOMINA?

Se tiverdes tendo pensamentos que não dominas, certamente estarás sendo dominado.
Resta-te, sinceramente, domínio sobre ti e sobre o que dizes? 
E sobre o que fazes, sobre o que praticas?
Dissestes, alguma vez, algo que não desejavas ter dito? 
Machucastes alguém, sem querer machucar?
Pergunte, sinceramente, a você mesmo. Responda mais sinceramente ainda...
Se não te dominas, quem te domina? 
Se realizardes coisas que não desejais fazer, quem o faz por ti?
Quando é Deus quem põe suas mãos em nossos lábios e dita as nossas palavras, não há dominação. Há iluminação e paz! 
E se Deus não é o seu Senhor, o Senhor de suas palavras, quem o será?
Cuidado! Há forças que não conhecemos... Estejas atento a isso e pactue só com Deus.
Não te deixes dominar! Sejais dono das suas palavras, mas só depois de cultivá-las em seu coração e regá-las com sabedoria e amor. A partir daí poderás dizê-las ao mundo, uma a uma, frase a frase...
Elas verdejarão os campos, apaziguarão os conflitos, acalmarão os corações mais aflitos... Do contrário, só restarão trevas, medos e dúvidas...
Cuida de ti!

Porque a ti Deus confiou infinitas missões...

Portanto, ore sempre, para que sejas forte e possa realizar essas suas missões...
Missões que só cabem a ti! 

Não espere de mais ninguém, pois as missões que se lhe competem, são apenas suas... 
Levanta-te e anda! Faça esse milagre em ti e por ti...

Ore, peça a si próprio, se ame, pois isso não é um ato de egoísmo! É permitir-se, com as bênçãos que Deus te oferece diariamente, agir e atuar em prol de suas batalhas para melhorar o seu mundo e o mundo do próximo...

Ainda que tudo isso seja em relação ao seu próprio e pequeno mundo interior ou ao mundo das poucas pessoas que te rodeiam.

Siga e persiga! Caminhe! Enamore-se! Flerte consigo mesmo! Ninguém, afinal, é capaz de amar, sem antes amar a si próprio! 

Encontre-se em todos os lugares, sob os olhares atônitos de te verem em pé. Surpreenda e surpreenda-se! Pois há muitas pessoas que te querem ver rastejar... Menos o teu Deus!

E, se Ele faz morada em ti, no perdão, na compaixão, na compreensão, na misericórdia, na fraternidade e na fé, nada irá fazê-lo sucumbir...

Porque isso tudo significa viver na luz! E nada é capaz de alcançá-la!
QUANTAS VEZES...

Quantas vezes passamos por lugares maravilhosos e nem percebemos... Ouvimos os sons da natureza e sequer procuramos de onde vêm... Somos iluminados e aquecidos pelo sol e ainda assim sentimos frio... A lua nos vigia por noites a fio, mas sequer olhamos para o céu.

Quantas vezes caminhamos pelos mistérios de nossos corações e nesse caminhar incerto, estendemos as mãos convidando pessoas para as nossas vidas, mas esquecemos de convidar, primeiro, a nós mesmos... E sem nós mesmos, trafegamos por vias congestionadas e trombamos com obstáculos tão visíveis e tão fáceis de desviar...

Quantas vezes entramos num novo dia sem lhe dar graças! E por ele seguimos inutilmente... A esperar que do céu caia um socorro. A esperar que alguém ou coisas nos aliviem das nossas angustias... A esperar um milagre que jamais acontecerá, pois o milagre mora dentro de nós.


Adoecemos nosso corpo e nossa alma fitando o nada e esperando tudo... A vida brinda-nos com o melhor de si mesma, mas insistimos em estar de costas para ela e de frente para o que não importa de fato...


E é então que vêm as trevas, a escuridão! Tentamos iluminar nossos caminhos com luzes deste mundo... Com elas desviamos dos buracos físicos. Porém, não nos desviam dos buracos que estão dentro de nós...


E isso ocorre simplesmente por não acreditarmos em nós mesmos, nessa maravilhosa e imensa força que reside em nós... Tudo isso porque, quase sempre, acreditamos apenas no que vemos...


E o que vemos? Quantas vezes olhamos para dentro de nós? Será que não olhamos apenas para coisas que queremos e muito pouco para as coisas que realmente precisamos?


É assim que, às vezes, conquistamos o mundo mas perdemos a nós mesmos...

ENERGIAS


Às vezes acordamos sem querer acordar! Os olhos teimam em permanecer fechados... Os sonhos não são sequer lembrados... Temos a impressão nítida de que a vida parou...  

O que houve? Só mais um dia? Será apenas mais um dia? Quantos ainda virão? Talvez poucos, talvez muitos... E então, nesse mistério intransponível, abrimos os olhos e levantamos! Colocamos os pés no chão frio... 

E, quando menos esperamos, o dia começa para nós mesmos, fabricados pelas nossas forças e pelas nossas fraquezas... 

Paramos então, para uma oração necessária, uma pausa, um agradecimento sincero por mais uma oportunidade com a qual a vida nos brinda, para melhorarmos os conceitos que temos de nós mesmos e os que as pessoas têm em relação a nós...

Nesses exercícios diários, nem sempre vencidos por razões várias, surgem energias vindas do acaso secreto da mente de Deus e nos presenteia com boas companhias, ternas e eternas amizades; com o afago carinhoso de pessoas maravilhosas que transitam por nós, vindas certamente para amenizar a nossa dor, para provocar um sorriso...

E nesse dia (hoje!) seguimos com uma certeza doce e serena: se for o último, terá sido o melhor de todos! E que assim seja, em todos os nossos próximos dias...

JUSTA ETERNIDADE

Hoje, mais que nunca, vivi o que vivem os que em Deus confiam... Morando abraçado à minha dignidade, vislumbrei o prazer de poder contar com o carinho de pessoas tão queridas... E em meio às tantas dificuldades, pisando descalço nas pedras doloridas da vida, é fácil ver e sentir o prazer da doce realidade: Triunfa a verdade! Trunfa a paciência! Triunfa a magia da piedade e do perdão!
Homenagem devo a todos os meus dias... a tudo que abdiquei; a tudo que conquistei... ainda que debaixo das mais inúteis batalhas...


Foram tentativas de alguma paz... Foram tentativas de sobriedade e serenidade que, nem sempre, vieram da forma sonhada, porque os sonhos, são apenas sonhos e não realidade... 


Hoje, sereno, agradeço as mãos estendidas... me despeço das tristes partidas... Permito-me ampliar meus conceitos... E, deitando sóbrio sob as sombras sadias da decência, consigo separar os homens dos vermes, a justiça da injustiça, a clemência da impiedade e o prazer, da verdade...


Anuncio, doravante, que relaciono-me com a inquietude de quem quer aprender e com a humildade de quem não quer ser e nem ir além da própria insignificância... E eis que surge o prazer incomum de estar em um relacionamento sério com a verdade!


Boa semana a todos! Aos amigos! Aos que pareciam ter sido... Aos que se foram... aos que virão... Nessa doce ciranda que circula, dia a pós dia, a mover-nos nesta magia que é viver intensamente...


Por mais fracos que sejamos... pelas canções que cantamos como que se de nossa autoria fossem... Na alegria de ouvi-las, na satisfação de cantá-las! Na imensidão de saber viver apenas o que a vida nos permite... 



E, aos que pensam triunfar apenas com a tese da aparência, com a falsidade das fúteis e inúteis conquistas, um doloroso aviso: A ETERNIDADE SERÁ ETERNAMENTE JUSTA!!!!



MORRER EM PAZ 


                  Como é bom conversar com Deus em paz, sem aflições! Falo, sem ilusões, da paz que conversa com a gente em silêncio profundo, frente a um mundo imundo de meios banais. Falo mais! 

                  Falo da paz que desperta a piedade, que acalma a alma sem remédio nenhum... Paz que afasta o tédio e que cura a ansiedade, por mais dura que seja a jornada a cumprir... Paz que faz rir sem motivo aparente e que nada afeta, que é pura e completa, é benção de Deus...

                  Com ela os conflitos se calam, as doçuras se instalam, as loucuras se afastam... E sendo assim, o intenso mar de revoltosas ondas se dissipa... E surge então a mais pura sensação de que a morte é um lindo cais... Lindo e bem vindo! Porto seguro da certeza do dever cumprido...

                  E, quando em algum instante nos tornarmos apenas um retrato amarelado numa estante ou na parede, ou ainda modernamente, de nós todos se esqueçam e nem vejam nossas páginas quase sempre tão banais, numa rede virtual que um dia ousamos editar, saberemos entender que o tempo, a seu tempo, editou nossa passagem passageira e tão real... 

                   Pois quando é findo o nosso tempo precioso e lindo, é preciso que não se tenha a morte tão ligeira com infeliz lamento. E para isso e para tanto, quando chegada a hora e o momento, a paz será trincheira essencial, mesmo que venha abraçada a receoso e triste pranto, culpa da culpa de nossos devaneios e eventuais receios por alguns cruéis desatinos. 

                   E no badalar sem rodeios dos sinos a nos avisar dos dias idos e a nos anunciar o fim dessa jornada, calmamente fitaremos o infinito que, de tão bonito, nele finalmente faremos nossa humilde e feliz morada...


SONHAR...

Sonhar é buscar o destino, é navegar, é voar, é esperar! Esperança é sonhar que se alcança, é dança intensa! É crença!

E nesse navegar sem mar, nesse voar sem ar, sobram delirios... E eis que chega a tempestade, sem piedade, a destruir os lirios que nem colhemos e, junto com eles, perdemos as nossas fantasias e as lindas cores dos nossos dias...

Descemos então da frondosa e generosa árvore dos nossos sonhos... Sonhos em versos! Sonhos em prosa! E pisamos novamente no chão gelado da realidade, que na verdade nos tornam gigantes...
Gigantes a sonhar como antes, em nova jornada! 

No nada ou no tudo? Isso não importa!Abro a porta...Por ela entro e me respondo mudo...