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segunda-feira, 16 de junho de 2014




MORRER EM PAZ 


                  Como é bom conversar com Deus em paz, sem aflições! Falo, sem ilusões, da paz que conversa com a gente em silêncio profundo, frente a um mundo imundo de meios banais. Falo mais! 

                  Falo da paz que desperta a piedade, que acalma a alma sem remédio nenhum... Paz que afasta o tédio e que cura a ansiedade, por mais dura que seja a jornada a cumprir... Paz que faz rir sem motivo aparente e que nada afeta, que é pura e completa, é benção de Deus...

                  Com ela os conflitos se calam, as doçuras se instalam, as loucuras se afastam... E sendo assim, o intenso mar de revoltosas ondas se dissipa... E surge então a mais pura sensação de que a morte é um lindo cais... Lindo e bem vindo! Porto seguro da certeza do dever cumprido...

                  E, quando em algum instante nos tornarmos apenas um retrato amarelado numa estante ou na parede, ou ainda modernamente, de nós todos se esqueçam e nem vejam nossas páginas quase sempre tão banais, numa rede virtual que um dia ousamos editar, saberemos entender que o tempo, a seu tempo, editou nossa passagem passageira e tão real... 

                   Pois quando é findo o nosso tempo precioso e lindo, é preciso que não se tenha a morte tão ligeira com infeliz lamento. E para isso e para tanto, quando chegada a hora e o momento, a paz será trincheira essencial, mesmo que venha abraçada a receoso e triste pranto, culpa da culpa de nossos devaneios e eventuais receios por alguns cruéis desatinos. 

                   E no badalar sem rodeios dos sinos a nos avisar dos dias idos e a nos anunciar o fim dessa jornada, calmamente fitaremos o infinito que, de tão bonito, nele finalmente faremos nossa humilde e feliz morada...

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